No dia 20 de setembro, festeja-se
no Rio Grande do Sul a Revolução Farroupilha,
que eclodiu na noite de 19/09/1835,
quando Bento Gonçalves da Silva avançou
com cerca de 200 "farrapos" (ala dos
exaltados, que queriam províncias
mais autônomas, unidas por uma república
mais flexível) sobre a capital Porto
Alegre (que na época possuía cerca
de 14 mil habitantes) pelo caminho
da Azenha (atual Avenida João Pessoa).
A revolta deveu-se em função dos elevados
impostos cobrados no local de venda
(normalmente outros Estados) sobre
itens (animais, couro, charque e trigo)
produzidos nas estâncias do Estado.
Charqueadores e estancieiros reclamavam,
ainda, de outros impostos: sobre o
sal importado e sobre a propriedade
da terra. A revolução durou quase
10 anos, sem vencedor e vencido. O
tratado de paz foi assinado em Ponche
Verde, pelo barão Duque de Caxias
e o general Davi.
Canabarro, em 28/02/1845.
Na época, Porto Alegre era um porto
comercial, e não tinha razões para
aderir à revolta. Seus comerciantes
não comungavam com as idéias separatistas
dos líderes da região da Campanha,
como Bento Gonçalves da Silva e Antônio
de Souza Netto, que veio a proclamar
a República Riograndense, no ano seguinte.
Por isso, rechaçaram os rebeldes,
em 15/06/1836. A partir daí, até dezembro
de 1840, a capital ficou sitiada,
com dificuldades de suprimento de
itens essenciais na época: charque,
óleo para os lampiões, farinha, feijão
e outros gêneros alimentícios.
Em função da fidelidade da capital
ao império, recebeu o título de "Leal
e Valorosa" em 19/10/1841, que permanece
no seu brasão até os dias atuais.
Fora da capital, os farroupilhas passaram
a ter expressivos êxitos. Na batalha
do Seival (que fica no atual município
de Candiota), o general Antônio de
Souza Netto impôs fragorosa derrota
ao legalista João da Silva Tavares,
que possuía 170 combatentes a mais.
No dia seguinte, em 11/09/1836, Netto
proclamou a República Riograndense,
com sede em Piratini. Todavia, os
farrapos sofreram outro duro revés
perto da capital, que sitiavam, ao
serem batidos na Ilha de Fanfa; o
exército rebelde de 1.000 homens se
dispersou e seu comandante, general
Bento Gonçalves da Silva, foi preso
e levado para a Fortaleza da Laje,
no Rio de Janeiro.
Em 1839, junta-se ao exército farrapo
o corsário italiano Giuseppe Garibaldi.
Os farrapos precisavam, após 4 anos
de combates, acesso à Lagoa dos Patos
e ao Oceano, que eram bloqueados pelos
imperialistas assentados em Porto
Alegre e Rio Grande, respectivamente.
Para romper o cerco, resolveram sublevar
Santa Catarina, onde possuíam simpatizantes.
Para tanto, decidiram tomar a estratégica
cidade de Laguna. Para tanto, Garibaldi
mandou construir dois enormes lanchões
numa fazenda do atual município de
Camaquã (que dista cerca de 125 km
de Porto Alegre), que foram arrastados
entre o atual município de Palmares
do Sul e a foz do Rio Tramandaí (no
atual município de Tramandaí) sobre
carreta de 8 rodas, por cerca de 200
bois. Em Araranguá, no Estado de Santa
Catarina, o lanchão Rio Pardo naufragou;
todavia, seguiram em frente com o
lanchão Seival, comandados pelo americano
John Griggs (apelidado de "João Grande").
Em Laguna, os lancheiros, apoiados
pela tropa de Davi Canabarro, obtiveram
grande vitória; e anexaram a Província,
em 29/07/1839, denominando-a República
Juliana. Em Laguna, Garibaldi encontrou
a costureira Ana Maria de Jesus Ribeiro,
que veio a se chamar de Anita Garibaldi,
que o acompanhou nas andanças da guerra,
a cavalo (a casa natal de Anita permanece
preservada). Anos mais tarde, Garibaldi
voltou para a Itália, para lutar pela
sua unificação; por isso, é conhecido
como "herói de dois mundos". Os imperiais
retomaram Laguna em 15/11/1839. No
Rio Grande do Sul, os farroupilhas
mudaram a capital mais duas vezes:
para Caçapava do Sul, em 1839; e para
Alegrete, em julho de 1842. Em 14/11/1844,
os farroupilhas sofreram duro revés
no Cerro dos Porongos, situado entre
os atuais municípios de Piratini e
Bagé.
Nesta batalha, o coronel imperial
Francisco Pedro de Abreu, o astuto
"Moringue", destroçou os 1,1 combatentes
de Davi Canabarro, que foram surpreendidos
enquanto dormiam. A culpa principal
recaiu sobre "Chica Papagaia" (Maria
Francisca Duarte Ferreira), que teria
ficado entretendo o general Davi Canabarro
dentro de sua barraca. A tratado de
paz celebrado em 1845 veio atender
uma série de reivindicações, principalmente
em relação a obtenção de tratamento
mais justo por parte do governo imperial.
O nome dos líderes farroupilhas está
afixado em inúmeras ruas de municípios
gaúchos. Em Porto Alegre, uma das
principais ruas homenageia o pacificador
Duque de Caxias.
A epopéia da Revolução Farroupilha
criou grandes heróis, mitos e símbolos;
os ideais e sentimentos inexpremíveis
dos revoltosos farroupilhas continuam
presentes e expressos nos símbolos
do Estado do Rio Grande do Sul, constituídos
pelo título "República Rio-grandense",
e o lema "liberdade, igualdade, humanidade"
(dentro de uma nação brasileira).
Autor: (Luis Roque Klering)
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